Desistir jamais!

Oi oi meus amores!!!

Quem é vivo sempre aparece né!?

Nem vou começar com aquele blá blá blá de que eu tava sem tempo, de que meu peixe tava com febre, de que a unha quebrou… e todas as justificativas que vocês já conhecem sobre a minha ausência por aqui e pelo Youtube.

Na verdade, vocês já sabiam o que estava acontecendo, só que como lindas que são, não falaram nada, apenas esperaram passar… E passou! Sempre passa né!

Esses dias vi inúmeros vídeos de meninas que eu acompanho, relatando sobre depressão, síndrome do pânico, entre outras coisas… Fiquei triste por elas, mas conforta saber que outras pessoas entendem bem o que você passa. Eu não tenho essa coragem de gravar um vídeo expondo os meus medos, minhas dores… Tem muita gente por aí torcendo pela nossa queda. Admiro a coragem e o coração aberto das meninas que contaram suas histórias.

Eu sofro com essa tal de ansiedade generalizada desde os meus 15 anos. Na verdade, desde sempre, mas com entendimento desde os 15. A minha ansiedade gerou uma síndrome do pânico, que gerou uma depressão profunda. Não foi fácil. Não é fácil. Ir para a escola, enfrentar as mudanças da adolescência para a fase adulta, e  tantas outras coisas foi uma longa caminhada.

Resolvi escrever, em vídeo, além da falta de coragem, eu me emocionaria demais.

Quero passar coisas boas nos vídeos, ser engraçada, sorrir, te fazer sorrir.

Isso, você que sempre curte minhas fotos, que comenta nos vídeos, que sempre esteve aqui presente. Você, leitora querida, uma amiga virtual, que nem que eu tentasse muito conseguiria devolver tanto carinho.

Resumindo, a minha história é claro, de repente a sua é até parecida, e acredite não vai ser fácil escrever as coisas que passei, não foi fácil aceitar e superá-las.

Nascida em 1984, numa manhã de quarta feira, depois de uma longa noite de muitas contrações, minha mãe teve um parto difícil, meu pai não a quis levar para o hospital pela madrugada, assim que as contrações começaram. Ela esperou calada, sofreu. Mais de preocupação do que de dor. Mas nasci, feia, verdade! Fiquei bonitinha depois de alguns meses. Nasci parecendo um filhote de porquinho. hahahaha (descontrair né!)

1 ano e 9 meses depois de nascida meus pais se separaram. Na verdade eles já estavam separados a tempos… Quando fiz 1 ano minha mãe soube da traição dele. Não gosto de falar de terceiros, mas é a minha história, não posso mudar os personagens.

Ele, com dois filhos pequenos, traiu minha mãe com a aluna dela. Minha mãe amava o pai mais que a ela mesmo. E essa ainda não é a pior parte da minha história.

A vida e seus mistérios…

Crescer sem pai foi difícil, mas a minha mãe foi, e é incondicionalmente completa, ela fez e faz tudo por mim e meu irmão. Não existe palavra pra descrever a força que ela teve.

O tempo passou um pouquinho, lá pelos meus 5 anos, não lembro ao certo, criei uma barreira nessas lembranças. Minha mãe teve seu primeiro relacionamento depois do meu pai. E veio a segunda traição. Não, ele não a traiu com outra, ele a traiu na alma.

Fui molestada. Durante vários anos. Por várias noites. Dias. E não podia falar nada.

Esse relacionamento não deu certo. Ela conheceu outra pessoa.

Já com meus 10 anos, fui molestada novamente. Dessa vez bem pior. Ele era agressivo, tinha uma arma, batia na minha mãe.

Claro, depois de muitas brigas, eles terminaram.

Aos quinze, tive minha primeira crise de pânico. Pensei que fosse morrer. Mas hoje entendo que foi ali que comecei a me libertar. Cresci me sentindo diferente, na minha cabeça eu era a única no grupo das amigas que era “suja”. E quanto mais eu amadurecia, mas eu tinha nojo de mim e de quem me tocou.

Quando comecei a fazer terapia, lá pelos meus 17 anos, em meio a muitas crises, eu contei pra minha mãe o que eles fizeram. Pude sentir a dor dela naquele momento.

Nunca a culpei, aliás, ela foi tão inocente quanto eu. E hoje eu só consigo contar a minha história, depois dos relatos que tive de tantas outras meninas e meninos, que são abusados diariamente por essas pessoas doentes.

Em 2014, burra velha já (rs), mas carregando todas as minhas dores, cheguei a desistir de mim. Não por querer morrer, mas por acreditar que eu jamais ficaria curada. Minha vida era resumida em: fase tomando remédio, e fase não tomando remédio.

Até que nesse ano, eu, no meu ápice do desespero clamei a Deus com todas as forças que ainda restavam, clamei por um mover, por um sinal, por uma solução. Não fazia mais sentido viver com tanto sofrimento.

Foi aí que tudo começou a se encaixar. Conheci duas médicas incríveis, que definitivamente me tiraram do fundo do poço. A mão de Deus me pegou pelo braço, me mostrou o nome da médica que eu deveria ir, esta que me atendeu no mesmo dia, não por conscidência, mas porque Deus havia separado aquele encaixe para mim. Ela me encaminhou a psicóloga e ali, naquele consultório, depois de muitas lágrimas, muitas revoltas, eu entendi que não posso mudar a minha história, que não vou deixar de sentir medo, ansiedade, pânico, mas aprendi a lidar com eles.

Nesse dia, eu soltei a corda que carregava todo o peso do meu passado. Hoje, ele não dói mais, ele é a minha bagagem de experiência para ajudar outras pessoas.

E como sempre, a vida nos surpreende, as vezes com uma surpresa boa e as vezes nem tanto, no ano passado veio o meu divórcio. Só quem passou anos casado, construiu uma vida, fez planos, sabe a dor que é uma separação…

Aí não teve como, precisei desse tempo longe. Aparecia de vez em quando,  não as abandonei completamente!

Nesse mês do setembro amarelo, campanha contra o suicídio, eu precisava compartilhar com vocês um pouquinho da minha história. Todos temos cicatrizes, mas nenhuma delas vale a nossa vida.

A dor nos fortalece, nos torna mais sensíveis, só na dor podemos entender o real sentido da vida. Se ame, se cuide, busque a Deus sempre. Eu digo pra você, com muita firmeza em meu coração, vai passar!

Gravar vídeos para o Youtube, ter um blog, só faz sentido pra mim se for pra ajudar.

E bora enxugar as lágrimas, que ainda vamos compartilhar muitos momentos aqui, os bons e os ruins. Vamos rir e chorar juntas, aprender, crescer, e principalmente, não desistir!

Um beijo enorme!

Raquellmake ( Raquel Martinez)

                                       Vídeo novo no canal toda terça, quinta e sábado!!!

por-maior-que-seja

 

 

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2 comentários sobre “Desistir jamais!

  1. Oi Raquel, sou sua fã……cada dia aumenta mais. Rsrsrsrs Fico feliz de pelo menos, você tentar viver, erguer a cabeça e seguir em frente, isso já é muuuuuuita coisa. E tenho certeza que não é fácil……mas acredite, estamos aqui (seguidoras) pra que você possa desabafar, quando quiser. Acredito que muitas não são técnicas profissionais no assunto, mas a vida nos permite sermos companheira, ah, um ombro amigo (ou uma tela amiga) já ajuda muito. Bjs.

    Ândria Trigueiro

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